
Ontem foi noticiada no Brasil a declaração dada pelo Prêmio Nobel de Medicina de 1962, James Watson, na qual o cientista afirma que africanos são menos inteligentes que os brancos.
O pesquisador teria afirmado preocupação com o futuro da África porque "todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência dos africanos seja igual à nossa, quando todos os testes realizados indicam o contrário".
As declarações de Watson se encaixam em idéias que foram difundidas por cientistas com base em "pesquisas" acerca da superioridade da raça caucasiana. No livro "A FALSA MEDIDA DO HOMEM" de Sthephen Jay Gould, podemos perceber como tais pesquisas eram realiazadas.
O livro destaca a forma como as pesquisas científicas manipulavam dados para ratificar teorias racistas e preconceituosas. Desta forma, desconstrói a idéia de hierarquia de raças, difundida durante o século XIX e em meados do século XX, da mesma forma que desmistifica a idéia positivista de neutralidade da ciência.
Declarações como esta nos mostram como a idéia de que pesquisa científica é sinônimo de verdade absoluta ainda permeia nossa sociedade e servem, ao menos, para desvelar todo o universo de conceitos perversos no qual estamos mergulhados e que são, muitas vezes, reproduzidos de forma inconsciente.
Espera-se que o fato sirva para reflexão acerca do papel ciência e sobre a produção do conhecimento em nossa sociedade:
Para que? Para quem?
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